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ARTIGOS

A Ética do professor de Yoga

Instrutor: Juliana Barbosa Matos Santos

Uma vida de Yoga é uma vida sagrada. O yogin aflora o sagrado que existe dentro de si mesmo. E o sagrado tem discernimento, autocontrole, educação, gentileza...
Cuidado com professores agressivos, que gritam, esperneiam e xingam quando são contrariados; bem como com aqueles que acusam sem provas concretas outras escolas e professores de Yoga. Isso mostra a imaturidade da sua prática e afastamento do seu Eu Interior, que é puro AMOR.



Saudações!

O tema de hoje, importante e delicado, parece estar bastante esquecido na atualidade. Infelizmente muitos 'yogis' do século XXI estão tão envolvidos em suas ocupações, que passaram a considerar desnecessários alguns princípios éticos.
Pedro Kupfer diz, que 'enquanto um estilo de vida integrado, o Yoga inclui padrões morais (tradicionalmente chamados "virtudes") que qualquer ser humano razoável acharia, em princípio, aceitáveis.'

Esses princípios são: gentileza, tolerância, autocontrole, educação, respeito, empatia...

Assim, sentimos a necessidade de falarmos sobre o código de ÉTICA de um professor de Yoga.
Afinal, como deve ser um professor de Yoga?
Diante do que vamos expor aqui, analise seu professor, seu guia e seu guru... pois seguir alguém que está perdido, não vai te levar a lugar nenhum!

YOGA

O caminho do Yoga é complexo, estreito, e inicialmente o praticante precisa da ajuda de um guru ou de algum professor sério e comprometido, que viva o Yoga em sua totalidade e que possa guiá-lo através de exemplos e de métodos utilizados por eles e que tiveram efetivos resultados.
Um verdadeiro guru ou um bom professor irão mostrar o caminho que eles seguiram, ensinando como um praticante pode alcançar o seu 'guia interior'. Eles ensinam como podemos adquirir discernimento e encontrar todo o poder e divindade que existe dentro de nós mesmos.
Paramahansa Yogananda, por exemplo, ensina que devemos testar os ensinamentos e sentir os efeitos, para decidirmos se é o caminho que queremos seguir.

Até que o praticante de Yoga consiga atingir o objetivo, é necessário muita prática, estudo e mudança de hábitos.

Quando a prática está sendo efetiva, é visível no praticante uma mudança significativa de seus velhos maus hábitos.

É lógico que muitos maus hábitos precisam de algum tempo para serem eliminados. Mas desde o início o praticante/professor deve reconhecê-los e tentar criar hábitos opostos aos que quer eliminar. Somente desta forma, o lapidar vai sendo feito e o professor se torna apto a guiar outros praticantes no caminho do Yoga. Quando não se identifica o erro, é impossível eliminá-lo. Quando o yogin aceita seus maus hábitos, se desvia do caminho correto.

Cito aqui, alguns benefícios iniciais da prática, que podem ser facilmente observados naqueles que dedicam sua vida ao Yoga.

AUTOCONTROLE, GENTILEZA E EDUCAÇÃO

Um dos primeiros benefícios sentidos pelos praticantes sinceros é o autocontrole. Ter controle de si mesmo é de extrema importância ao ser humano. Pessoas descontroladas se envolvem em situações difíceis. Então, o professor de Yoga deve sim ser controlado! Ter controle sobre o que fala, controle de suas ações... para que, junto com a extrema vontade, possa alcançar o desejado controle da mente.
Da mesma forma que devemos treinar nosso corpo físico e aprender a controla-lo para realizar posturas de Yoga, a mente precisa ser treinada, os sentidos e as emoções controladas, para que possamos realizar a busca do nosso Eu interior.


NÃO VIOLÊNCIA

O yogin ou a yogini jamais utilizam palavras ou atitudes agressivas em suas relações. Eles tentam praticar o autocontrole e se o perdem, se arrependem e entendem que devem se modificar.
Importante ressaltar que a não violência bem como outras nobres qualidades citadas neste texto, acontecem naturalmente quando a prática do Yoga está sendo efetiva. Então não é uma obrigação ter tais qualidades... elas simplesmente afloram nos praticantes que estão no caminho certo.

Não é sobre sermos perfeitos, mas sobre nos lapidarmos.

O lapidar acontece quando nós enxergamos nossos defeitos. Aí, sim, a gente se corrige, lapida.
Toda mudança pede que a gente saia da zona de conforto. E isso muitas vezes dói. Mas se o yogin não tem a força de vontade de se modificar, é melhor nem perder tempo tentando levar uma vida de Yoga, pois o resultado será catastrófico! E ele se afastará do Yoga, naturalmente.

Um yogin que diz ter raiva, por exemplo, por ser assim desde a infância, e não entende que deve se modificar, se encontra totalmente identificado com a matéria, que é ilusória. Esse yogin não está conseguindo acessar sua essência, e como resultado, acredita ser o corpo físico com todas as suas imperfeições.

"Algumas pessoas tentam ser altas cortando a cabeça, das demais!" Swami Sri Yukteswar.

O problema maior é quando ele passa isso aos alunos como sendo algo aceitável. Sem controle, o professor acaba entrando em vibrações violentas. E se deixa envolver pela arrogância. Nesse ponto, as consequências kármicas são perigosas.

Um professor de Yoga educado, gentil e prestativo, que consegue ouvir o outro e tem empatia, está no caminho certo, plantando boas sementes. Sua frequência vibratória se mantém alta, e ele é protegido e inspirado a continuar no caminho do Yoga.


JUSTIÇA COM AS PRÓPRIAS MÃOS

Acrescento aqui que o yogin não deve se omitir diante de injustiças e situações criminosas. Ele não também ser apático. Deve analisar e levar casos deste tipo às autoridades ou órgãos superiores, mas nunca tentar fazer justiça 'com as próprias mãos', caluniar ou difamar outra pessoa, independente de quem seja.

As pessoas estão em graus evolutivos diferentes, e devemos respeitar os que cometeram erros, por ainda não possuírem discernimento sobre a vida.
Empatia é essencial ao professor de Yoga.

"7.8 Caso tenha conhecimento de linhas de Yoga, professores e escolas de Yoga que produzem sérios danos aos seus estudantes, você tem o direito de tomar atitudes formais para que essas atividades sejam investigadas pelas autoridades legais; mas não tem o direito de difamar ou caluniar ninguém." Professor Roberto Martins e Flávia Bianchini, em texto 'Código de Ética' da escola Shri Yoga Devi: http://www.shri-yoga-devi.org/curso2017-j.html

BOM RELACIONAMENTO COM OUTRAS ESCOLAS DE YOGA

Um professor de Yoga não precisa gostar ou aprovar todas as escolas existentes. Mas deve respeitar o trabalho do outro, sendo educado e esforçado em praticar a tolerância.

Alguns renomados professores de Yoga escreveram:

"Professores de Yoga esforçam-se para praticar a tolerância para com outros professores, escolas e tradições do Yoga. Se houver a necessidade de fazer alguma crítica, ela deve ser feita com clareza e baseada em fatos." Professor Pedro Kupfer, em seu texto: ÉTICA PARA PROFESSORES DE YOGA, ITEM 17: https://www.yoga.pro.br/openarticle?id=650&ÉTICA-PARA-PROFESSORES-DE-YOGA

"7.2 Não é ético ficar criticando ou ridicularizando outras linhas de Yoga e outros professores de Yoga ou escolas. Trecho do Código de Ética da escola Shri Yoga Devi: http://www.shri-yoga-devi.org/curso2017-j.html

" 7.12 É mais seguro discutir ideias e princípios do que criticar pessoas. Sempre que surgirem dúvidas ou conversas com seus alunos a respeito da validade de determinado tipo de Yoga ou professor, procure direcionar a conversa para a discussão sobre aquilo que é correto ou incorreto, sem afirmar ou negar que aquela pessoa ou linha de trabalho possui ou não possui tais virtudes ou defeitos. Indique que cada pessoa deve ter o cuidado de verificar se deve ou não confiar em um professor ou método." Trecho do Código de Ética da escola Shri Yoga Devi:http://www.shri-yoga-devi.org/curso2017-j.html

Diante do exposto, acrescento que se você quer saber se o professor/guru/guia que escolheu está no caminho do Yoga, analise não só o que foi dito acima. Devemos observar também muitas outras características que afastam o yogin do caminho do Yoga. Tudo aquilo que reduz nossa frequência vibratória, deve ser eliminado.

"Yoga serve para queimar o samskara, eliminar os condicionamentos e libertar o indivíduo da miséria humana. Se o professor falar mal dos demais ou ficar obsessionado tentando controlar os praticantes, mau sinal. O professor que sabe e confia não tem medo de que seus praticantes procurem outras formas de Yoga.

E se os praticantes optarem pela outra, não se ofende. Se você tiver a sensação se estar sendo olhado como se fosse um monte de R$ ambulantes, desconfie! Numa palavra, todas essas são coisas do ego, que teoricamente o praticante honesto (que todo professor deve ser) deve ter sob controle." Pedro Kupfer, em seu texto 'Como escolher um bom professor de Yoga'.

Yoga é um estilo de vida diferente do estilo de vida comum e modifica quem se envolve nele por completo. Nada do que eu disse aqui deve ser entendido como REGRA ou OBRIGAÇÃO.
É apenas resultado de uma vida de Yoga.
É apenas o aflorar da alma, que é sábia, feliz, tranquila e puro amor.

Om Shanti!

Ju Matos

Centro de Estudos de Yoga Pranava

Instrutor: Juliana Matos